segunda-feira, 18 de março de 2013

Pesquisadores revelam a relação entre células 'mães' e 'filhas'



Centro de Estudos do Genoma Humano


Publicado na revista Science, trabalho científico revela que as menores porções de matéria viva – as células – fazem sacrifícios para assegurar a continuidade de suas futuras gerações

ELTON ALISSON

Agência FAPESP – Na natureza há diversas espécies (além da humana) que realizam ações altruístas para garantir a sobrevivência de suas proles. Alguns exemplos extremos são os ursos polares fêmeas – que ganham até 200 quilos durante a gestação e passam por um jejum nos oito primeiros meses de vida de seus filhotes, de modo a prover um leite rico em gordura. Ou as "mamães" aranhas, da espécie Stegodyphus, que permitem que seus rebentos a matem para lhes servir de alimento.
Um estudo publicado na revista Science, realizado por um grupo internacional de pesquisadores, do qual participaram dois brasileiros, revelou que as menores porções de matéria viva – as células – também fazem sacrifícios para assegurar a continuidade de suas futuras gerações.
Os pesquisadores constataram que durante o processo de divisão celular (mitose) – pelo qual uma célula "mãe" se divide para dar origem a uma célula "filha" – a célula "materna" fornece muito mais mitocôndrias (estruturas internas essenciais para a sobrevivência de qualquer vida celular) para sua "cria" do que se esperaria pela razão entre os volumes delas – a célula filha é menor do que a célula mãe.
A descoberta sugere a hipótese de que, tal como na natureza, as células mães se sacrificariam para aumentar as chances de sobrevivência de suas filhas.
"Essa constatação é inédita e contraria a intuição de que as mitocôndrias são divididas de forma proporcional à densidade [volume] das células mães e das células filhas. Elas quebram essa regra", disse Luciano da Fontoura Costa, professor do Departamento de Física e Informática do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), campus de São Carlos, e um dos autores do estudo.
Costa é um dos pesquisadores principais de um Projeto Temático, realizado com apoio da FAPESP, coordenado pelo professor Roberto Marcondes Cesar Junior, do Departamento de Ciência da Computação do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP, e realiza um projeto de pesquisa no âmbito do acordo da FAPESP com a Universidade de York, do Reino Unido.
O pesquisador foi orientador da iniciação científica, do doutorado e do pós-doutorado– todos realizados com Bolsa da FAPESP – de Matheus Palhares Viana, o segundo pesquisador brasileiro participante do estudo.
Viana atualmente faz pós-doutorado na Universidade da Califórnia em Irvine no grupo da pesquisadora Susanne Rafelski – a primeira autora do trabalho, com o professor Wallace Marshall, da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF), nos Estados Unidos. O estudo também contou com a participação de pesquisadores da Universidade de Pequim, na China.
Para estudar o processo de transferência de mitocôndrias entre as células, os pesquisadores usaram leveduras Saccharomyces cerevisiae – comumente utilizadas na produção de pão e de cerveja.
Por meio de sofisticadas técnicas de microscopia, a equipe internacional – liderada por Marshall e Rafelski – captou imagens das células das leveduras em um microscópio confocal (fluorescência) e promoveu um processo de fatiamento óptico das mitocôndrias presentes nelas, nas quais as estruturas são fragmentadas em diversos pedaços, como peças de um quebra-cabeça.
Por meio de métodos de computação específicos para o processamento de imagens – desenvolvidos inicialmente durante outro Projeto Temático, realizado com apoio da FAPESP, do qual Costa também participou –, o pesquisador e Viana juntaram as "fatias" das mitocôndrias, fizeram a reconstrução tridimensional (em 3D) das estruturas e a representaram na forma de redes (grafos). Dessa forma, conseguiram reproduzir em detalhes e medir o tamanho físico das redes mitocondriais – que tendem a diminuir continuamente ao longo das gerações sucessivas das células.
Os pesquisadores observaram que, no caso das células de levedura, no entanto, o tamanho da rede mitocondrial aumentava com o crescimento das células, e que essa relação de escala ocorria, principalmente, pela raiz.
"Se as mitocôndrias fossem divididas aleatoriamente e a densidade das células fosse mantida constante, esperava-se encontrar menos mitocôndrias nas células filhas do que nas células mães. O que se descobriu nesse trabalho é que a célula mãe dá mais mitocôndrias do que se esperava para a célula filha", disse Costa.
De acordo com os pesquisadores, em vez de as leveduras "mães" fornecerem quantidade suficiente de mitocôndrias para seus descendentes, de forma a garantir sua própria sobrevivência, elas transferiam muito mais organelas do que o necessário, mesmo à custa de suas vidas. A maioria delas começou a morrer passadas dez gerações.
Já formas mutantes de leveduras, muito mais "avarentas" para fornecer suas mitocôndrias às futuras gerações, viveram por muito mais tempo.
Abordagem complementar
Segundo Costa, a descoberta desses mecanismos de divisão poderá ser estendida para outros organismos e tecidos. As células-tronco humanas e algumas células cancerosas, por exemplo, muitas vezes se dividem em duas células que se parecem e se comportam de forma muito diferente.
Em função disso, na opinião do pesquisador, estudos de biologia de sistemas como o que realizaram – que usam abordagens de ciências exatas, como métodos quantitativos de matemática, física e computação, e vão além da análise molecular – complementam a pesquisa em genética.
De acordo com Costa, as pesquisas sobre o genoma – hoje feitas em maior escala do que os estudos de biologia molecular – são insuficientes para entender um organismo como um todo porque diversos genes não são expressos, por exemplo.
"Os genes, em princípio, indicam como construir uma proteína, por exemplo. Mas o fato de se ter um gene não significa dizer que o organismo vai ter esta determinada proteína expressa", disse.
"Existe todo um controle na maquinaria celular que determina se essa proteína será expressa ou não. E esse controle, inclusive, depende da geometria do embrião e se já foram formados certos tecidos e estruturas anatômicas que são usados como sinalização para expressão de genes e servem como andaimes para construir o resto de um organismo", disse Costa.
O artigo Mitochondrial network size scalling in building yeast, de Luciano da Fontoura Costa e outros, pode ser lido em www.sciencemag.org/content/338/6108/822.full.
http://revistapesquisa.fapesp.br/2013/03/11/pesquisadores-revelam-a-relacao-entre-celulas-maes-e-filhas/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=pesquisadores-revelam-a-relacao-entre-celulas-maes-e-filhas
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Fabiola B. Parmejane
PCNPE Biologia
Fone: 46689821
D.E. Itapecerica da Serra

segunda-feira, 11 de março de 2013

PROGRAMA DE PRÉ-INICIAÇÃO CIENTÍFICA DA USP (PRÉ-IC)

PROGRAMA DE PRÉ-INICIAÇÃO CIENTÍFICA DA USP (PRÉ-IC)

Pró-Reitoria de Pesquisa

EDITAL 2013

A Universidade de São Paulo, autarquia estadual, doravante denominada simplesmente USP, torna pública a presente CHAMADA DE PROPOSTA e convida os docentes das Unidades, ou equivalente, a apresentarem propostas de pesquisa para a realização do PROGRAMA DE PRÉ- INICIAÇÃO CIENTÍFICA, nas formas e condições a seguir estabelecidas.

1. CONSIDERAÇÕES GERAIS
• é de interesse da USP contribuir para o aprimoramento do ensino público básico mediante o Programa de Pré-Iniciação Científica, por meio do oferecimento de oportunidade para vivência em ambientes universitários, aos alunos do ensino médio (regular e técnico);

• a USP incrementa, por meio deste Programa, a articulação entre a Educação Básica e a Educação Superior, na expectativa de identificação de talentos potenciais entre estudantes do ensino médio e de educação profissional e, por conseqüente, na melhoria do sistema de ensino público.

2. OBJETIVOS
O Programa de Pré-Iniciação Científica da USP visa a apoiar os projetos de pesquisa que possibilitem despertar e incentivar interesse pela atividade de pesquisa científica nos diferentes campos do saber, bem como a definição da área de interesse profissional de alunos da rede pública de ensino e a aproximação da Universidade aos Sistemas de Ensino Médio, mediante:
• o oferecimento de oportunidade de complemento da formação pessoal e aprimoramento de conhecimentos e preparo para a vida profissional ao aluno participante;
• a inserção desses alunos na USP para o acompanhamento de atividades e convivência com os procedimentos e as metodologias adotadas em pesquisa científica;
• o desenvolvimento de atividades científicas planejadas para o bolsista na linha de pesquisa do Orientador; e
• o acesso a outras atividades, como ciclos de seminários, simpósios, cursos, interação com outras Unidades.

3. FORMA DE APOIO
A USP apoiará a realização do Programa de Pré-Iniciação Científica por meio de sua Pró-Reitoria de Pesquisa (PRP-USP),  mediante aporte de recursos financeiros oriundos de convênios com entidades da iniciativa privada e órgãos de fomento, destinados à concessão de BOLSAS DE ESTUDO aos estudantes de nível médio, devidamente selecionados em conjunto com a Secretaria de Estado da Educação para a participação em projetos de pesquisa desenvolvidos nos ambientes universitários dos diferentes campi e em todas as áreas do conhecimento. As Bolsas de Estudo terão duração de 12 (doze) meses, devendo ser solicitada em nome da Unidade da PROGRAMA DE PRÉ-INICIAÇÃO CIENTÍFICA DA USP (PRÉ-IC) Aprovado no Conselho de Pesquisa de 5/12/2012 Pró-Reitoria de Pesquisa USP responsável pelo projeto e paga diretamente ao estudante mediante instrumento próprio.
Seus valores serão estabelecidos de acordo com o aporte financeiro destinado especificamente em rubrica própria nos convênios firmados pela USP.

4. MODALIDADE
Cabe às Unidades solicitarem, por meio de suas Comissões de Pesquisa (ou equivalente), a apresentação de propostas de pesquisa que contemplem a participação de estudantes de ensino médio, com dedicação mínima de 8 horas semanais. Os estudantes estarão vinculados à Unidade que apresentou a proposta durante a vigência do Programa e deverão ser acompanhados com a supervisão de um professor da escola de ensino médio (técnico ou regular). Será facultada ao estudante a solicitação de mudança de local de estágio dentro da Unidade, mediante avaliação da Comissão de Pesquisa (ou equivalente). 

5. A QUEM SE DESTINA
Poderão apresentar propostas ao Programa de Pré-Iniciação Científica as Unidades da USP que tenham planos estruturados para realização dos estágios. Cada proposta (com um máximo de 8 alunos) deverá envolver apenas uma escola da rede de ensino. As Unidades poderão solicitar tantas bolsas quantas vagas e propostas de pesquisas tiverem disponíveis. No caso do número de propostas apresentadas ser superior ao número de bolsas consignadas pela PRP-USP, ficará ao encargo da Comissão de Pesquisa (ou equivalente) a designação dos docentes que receberão estudantes.

6. APRESENTAÇÃO DAS PROPOSTAS - DOCUMENTOS NECESSÁRIOS
Os pedidos para participação no Programa de Pré-Iniciação Científica deverão ser encaminhados à PRP-USP, mediante o preenchimento de formulário específico no SISTEMA ATENA em cuja solicitação deverá estar explicitada, em no máximo 3000 caracteres um plano de trabalho contendo: campus, área, Unidade, Departamento, Laboratório, nome do docente responsável, outros colaboradores (pós-doutorandos ou doutorandos), título do projeto de pesquisa do docente, título do projeto de Pré-IC (sempre que possível, com linguagem clara para maior entendimento dos alunos do ensino médio e técnico), número de alunos solicitados, breve descrição do projeto de pesquisa ao qual os estudantes estarão vinculados e resumo do Programa
das atividades a serem cumpridas pelos alunos. As solicitações e apresentação das propostas serão anexadas pelo próprio docente (responsável pelo projeto) no SISTEMA ATENA e analisada pela Comissão de Pesquisa (ou equivalente), que deverá manifestar apoio às propostas indicadas e garantir a infraestrutura necessária para a realização destas. Após, a apreciação da
Comissão de Pesquisa (ou equivalente), a proposta impressa deverá ser enviada, por meio de processo, à PRP-USP.

7. ADMISSÃO, ANÁLISE E JULGAMENTO
Para admissão das propostas, o professor responsável pelo projeto deverá cumprir as seguintes exigências: título de Doutor, experiência em atividades de pesquisas científicas, tecnológicas e artísticas e experiência prévia em orientação. A análise inicial dos pedidos deverá ser feita pela Comissão de Pesquisa (ou equivalente). 

O julgamento e a classificação final das propostas apresentadas serão feitos pela PRP-USP, obedecendo aos seguintes critérios:
1. Adequação da proposta ao edital;
2. Adequação das atividades dos estudantes aos objetivos da chamada. Não serão aceitas propostas cujas atividades sejam eminentemente técnicas, administrativas ou meramente de extensão.

8. EXECUÇÃO E ACOMPANHAMENTO
O Programa será desenvolvido por meio de uma parceria entre o orientador e o supervisor de cada projeto. O contato entre ambos deverá promover a integração dos alunos do ensino médio e ensino técnico de nível médio ao Programa. Assim, sempre que necessário e mediante a disponibilidade de ambos, deverão ser promovidos encontros que garantam a realização adequada das atividades e auxiliem no desempenho dos alunos envolvidos.

Caberá ao orientador:
a) Realizar atividades iniciais de recepção dos alunos do ensino médio e dos professores supervisores, com a finalidade de apresentar de forma clara as atividades previstas durante o estágio e conhecer o perfil dos estudantes, adequar as ações previstas às características do grupo e definir os horários e formas de participação dos alunos no plano de trabalho;
b) Envolver, se for de interesse, alunos de doutorado na orientação do grupo, garantindo, contudo, seu contato direto com os alunos.

Caberá ao supervisor:
a) Orientar quanto ao trânsito dos alunos à USP;
b) Orientar as atividades de transferência de experiências dos alunos do Programa para a escola de origem;
c) Atuar como elo de ligação entre a Comissão de Pesquisa (ou equivalente) da Unidade e os alunos sob sua supervisão;
d) Participar dos ciclos de palestras e seminários destinados aos alunos do Programa, conforme disponibilidade e mediante acordo prévio com o professor orientador; e
e) Orientar os alunos na elaboração do relatório e na apresentação do trabalho final no Seminário de Pré-Iniciação Científica.

Caberá ao aluno:
a) Apresentar, ao término do Programa, relatório circunstanciado das atividades desenvolvidas, com parecer do orientador e do supervisor, a ser encaminhado à Comissão de Pesquisa (ou equivalente) da Unidade;
b) Realizar uma exposição sobre sua experiência em sua escola de origem, orientado pelo supervisor.

Caberá à Comissão de Pesquisa (ou equivalente) da Unidade:
a) Designar um docente para coordenação das atividades dos supervisores;
b) Fazer o acompanhamento da execução dos projetos;
c) Organizar e realizar ciclos de palestras e seminários destinados aos alunos do Programa, relacionando e integrando os conceitos científicos, culturais, tecnológicos e artísticos de acordo com a programação do Ensino Médio; e
d) Acompanhar o preenchimento dos formulários no sistema Atena.

A PRP-USP, em comum acordo com a SEE, fará divulgar orientações aos docentes, às Comissões de Pesquisa e aos supervisores da rede pública, sempre que oportuno, à quais todos deverão estar atentos.
A PRP-USP deverá realizar uma avaliação final do processo em cada Unidade e na Universidade como um todo.

9. CRONOGRAMA

No aguardo de informações da SEE/SP

Prof. Dr. Marco Antonio Zago
Pró-Reitor de Pesquisa da USP

mais informações:  www.usp.br/prp

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Fabiola B. Parmejane
PCNPE Biologia
Fone: 46689821
D.E. Itapecerica da Serra

quarta-feira, 6 de março de 2013

IV Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente

   
      Público Alvo: Jovens de 11 a 14 anos (alunos do Ciclo II)
      Objetivos:
o   Contribuir para tornar as escolas participantes da IV Conferência em espaços educadores sustentáveis.
o   Fortalecer a escola e a comunidade para influir nas políticas locais em favor da sustentabilidade socioambiental.
o   Em âmbito nacional, elaborar um conjunto de propostas que possam contribuir para a formulação de políticas públicas em favor de escolas sustentáveis.
      Cronograma:
o   Conferência na Escola: abril a junho/2013
o   Conferência Estadual: 1/ago – 6/out 2013
o   Conferência Nacional: 13 - 18/nov 2013

      Conferência Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente na Escola:
o   Exige que a comunidade escolar observe os problemas socioambientais mais urgentes e defina como agir, na medida do possível, em cada escola e no seu entorno.
o   Escolha de representantes -delegados e delegadas - que devem levar adiante as propostas discutidas e definidas como importantes.
o   Propõe-se que gestores e professores de todas as disciplinas se envolvam com a Conferência, inclusive definindo um período de preparo e uma data para sua realização.
o   O MEC enviará direto para as escolas, até ABRIL, um "Passo a Passo" com todas as instruções para a realização da conferência.

Escola Sustentável:
         Promove a saúde ambiental e das pessoas.
         Cultiva a diversidade biológica, social, cultural, etnicorracial e de gênero.
         Respeita os direitos humanos (em especial a criança e o adolescente).
         Favorece o exercício da participação e o compartilhamento de responsabilidades.

PCNPs responsáveis: Reginaldo e Fabiola                                                         

   "Se não for agora, quando?
  Se não formos nós, quem?"